Internato de Saúde Coletiva

Internato de Saúde Coletiva

Hoje, terminando um curso de medicina, após ler diversas diretrizes, livros escritos por grandes mestres, artigos com revisão e evidências firmes sobre as melhores condutas e terapêuticas, entendi um pouco mais sobre o que é me formar médico. “Seu” Dorival não entendia as diretrizes, apesar de cumprir critérios para seguir várias das melhores condutas que a medicina poderia lhe oferecer. “Seu” Dorival não entendia seu caso, ele não poderia saber o que estava deixando de receber. Eu com as mãos cheias das atualizações e do conhecimento que precisava para tornar a vida do velho senhor mais digna, não pude entregar a ele. Tudo que foi construído por nossa sociedade, para melhorar, trazer humanidade, qualidade de vida, dignidade humana, poderia ser jogada no lixo nesse momento, pelo simples fato da segregação que criamos a cerca daqueles que não recebem as devidas oportunidades. A falta de recursos é extrema, o sistema não chega até a terra batida com suor.

Lucas Guimarães Vieira Martins – aluno do 6º ano

 

 

Após cinco longos anos de estudos, provas e muita cobrança pessoal, nosso aluno chega ao Internato de Saúde Coletiva (Rural) trazendo toda uma carga de boas intenções, expectativas e medos. Talvez o principal deles seja o medo de não saber por em prática todo o conhecimento adquirido nos bancos da faculdade, sobre como entrevistar os pacientes, diagnosticar e tratar as doenças, como proposto nos livros didáticos e nas aulas práticas do ambulatório.

A experiência de cerca de três meses na linha de frente do SUS, como integrante da equipe do PSF, na Atenção Primária à Saúde, possibilita que o aluno aprenda a reconhecer no mundo real, como vivem, adoecem e morrem as pessoas daquela localidade. Nas palavras de Lucas, um desses alunos… “é ali que o problema surge e cresce e é ali também que grande parte dos entraves da saúde brasileira é vencida“.

Integrar uma equipe de PSF “é mais que uma rotina, é entender o paciente, é ser parado na rua e se tornar amigo daqueles que adentram seu consultório. É, ainda, receber carinho em forma de café, biscoito de polvilho, abraço e “fica com Deus”. Dentro desse acolhimento as emoções são mais próximas, e ainda, contando com o cotidiano de uma típica cidade interiorana de Minas Gerais, é possível perceber o quanto as relações se tornam mais parciais e humanas. “

A constatação da discrepância nos recursos assistenciais nos municípios escancara as iniquidades no acesso à saúde que ainda persistem vigorosas no Brasil, e é impossível não se impactar ao vivenciar o contraste entre o mundo das altas tecnologias especializadas, e o mundo de escassez tecnológica ofertado à maioria da população.

Mas é exatamente aí que reside uma das riquezas da experiência no Internato: saber reconhecer as possibilidades imensas de ajudar as pessoas, dispondo de poucos recursos tecnológicos.

É um momento propício para desenvolver outras competências e habilidades, outras formas de entender o paciente e aprender a atende-lo de forma humanizada e empática; momento de conhecer e praticar educação e gestão em saúde. Garanto que são conhecimentos igualmente úteis para formação médica dos nossos alunos!

O Internato Rural atua nas zonas urbana e rural de alguns municípios do estado, quase todos de pequeno porte.

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Veja um pouco de uma das etapas mais importantes na formação dos nossos profissionais de saúde:

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